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O caderno português é um objecto de culto

“Em 1918, Emílio da Silva Braga fundou na Rua Nova do Almada aquela que viria a ser considerada por essa época uma das melhores papelarias da cidade. Quase um século mais tarde, a empresa Papelarias Emilio Braga está nas mãos da quarta geração e continua a fabricar o mais emblemático dos seus produtos: a famosa “galocha”” [nome que advém do processo de encadernação].

Este é o texto que aparece na primeira página. Têm novas vestimentas, mas o processo de produção é o mesmo há cem anos. Ainda se usa cola de farinha com água, cose-se com uma máquina de coser de 1914, e tudo é completamente artesanal.

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Por tradição, o galocha era um caderno comercial: estreito e comprido para as contas dos merceeiros; A4 para a contabilidade, livros de ponto, registo de horas suplementares. A aparência está até hoje gravada na nossa memória colectiva: a capa de papel “chagrin” preto; resistente e característico, com a sua lombada e cantos reforçados em tecido colorido. É o verdadeiro caderno português.

1 Emilio Braga

Para além do caderno clássico, a empresa portuguesa aposta agora numa nova colecção que nos entram pelos olhos a dentro: cores frescas e em papel “agatha”, capa estampada com papel de embrulho de outras épocas de padrões revisitados. O interior é liso em todos eles, mas cada qual traz uma folha mais espessa separada, para servir de guia à transparência, seja para linhas ou quadriculado.

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Há quem acredite que os artesanais cadernos Emílio Braga alcançaram recentemente “uma dimensão cultural” para além da comercial que lhes estava associada.

Querá isso dizer que somos uma nação de apaixonados do papel? Bem-vindos ao clube!

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