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Daniel Yacubovich, professor e teórico da cor, explica-nos bem este fenómeno psicofísico que nos afeta frequentemente ao observar as cores dos papéis.
Filosofia
A luz, a matéria e o nervo ótico que liga a retina dos nossos olhos ao nosso cérebro, conjugam-se para sintetizar a informação visual, a qual é fundamentalmente energia eletromagnética, estímulo elétrico, térmico e químico.
Se pertencermos à cultura ocidental, à sensação resultante desta síntese de elementos chamamos cor ou tom, por exemplo: Vermelho Magenta, ou Amarelo Kodak.
O Folk Concept sustenta várias hipóteses acerca da cor e, para testar as suas hipóteses, nega desde logo que a cor seja colocada sobre a matéria, noção popularmente aceite.
A sensação cromática deve-se a uma predisposição percetiva que depende da nossa fisiologia e cultura. Está relacionada com fenómenos luminosos, atmosféricos e semióticos.
Esta predisposição para se experimentar a sensação cromática de forma diferente dependendo das alterações de iluminação foi publicada pela primeira vez pelo químico francês Michel Eugene Chevreul.
História
O químico Chevreul foi um pioneiro na observação do efeito simultâneo de misturas cromáticas e do efeito ótico da pós-imagem que produziam e mantinham nos olhos.
Chevreul trabalhava como químico chefe da Fábrica de Gobelins de Paris.
Observou que os finos fios de diferentes tons colocados de forma adjacente ao lado uns dos outros produziam um efeito de influência mútua, que se manifestava como uma sensação ótica confusa na visão do observador. Posteriormente constatou que o efeito, a que chamou «efeito de simultaneidade cromática», dependia de múltiplos fatores, como a cor e espessura dos fios, a distância do observador e as condições mutáveis de luz ou iluminação.
Seguindo estas observações científicas, Chevreul publicou no ano de 1855 o livro intitulado: Os Princípios da Harmonia da Cor e sua Aplicação nas Artes.
Esta publicação exerceu uma enorme influência sobre os pintores franceses da época, que aplicaram esta informação nas suas pinturas: os pontilhistas ou divisionistas, como Seurat.
Metamerismo de luminância
Das 4 formas de metamerismo ( metamerismo de luminância, metamerismo geométrico, metamerismo do observador e metamerismo de campo), o fenómeno mais comum e relacionado com os antecedentes filosóficos e históricos atrás referidos é o Metamerismo de Luminância.
É o fenómeno através do qual duas amostras cromáticas do mesmo tom, ou do mesmo espectro de reflexão, nos parecem idênticas, por exemplo, à luz do sol, e podem apresentar-se como tendo tons ou cores diferentes sob condições de iluminação diferentes.
Conclusão
Para representar o que vemos, são necessários os olhos, um cérebro saudável, uma fonte de luz, um material que reflita essa luz e uma linguagem que atribua uma determinada qualidade ao estímulo.
Assim, compreende-se que o metamerismo é um fenómeno que nos afeta envolvendo múltiplos fatores.